Que sapato usar na gravidez?

Na gravidez a gente tem uma série de cuidados com o corpo, a mente, o ambiente.


Pensa logo na alimentação, consultas médicas, atividades físicas.

Mas o vestuário é um item muito importante a se pensar. Ele pode influenciar na digestão (azia e

refluxo), respiração, circulação, corrimento vaginal e até no desenvolvimento do feto.


No máximo, as mulheres pensam em roupas confortáveis, mas um item importantíssimo do vestuário muito negligenciado são os calçados.


Os pés são os responsáveis por sustentar o peso do nosso corpo. E durante a gestação esse peso aumenta consideravelmente.


Outra coisa que muda em relação ao pé, peso do corpo e sustentação são os nossos músculos e ligamentos que estão sob a influências de certos hormônios como a relaxina e a progesterona que ajudam na adaptação do corpo para as mudanças que ocorrem durante a gravidez.


Esses hormônios relaxam,

afrouxam os músculos e ligamentos deixando-os mais maleáveis, menos rígidos e as nossas articulações

mais flexíveis. Imaginem então uma articulação mais flexível, com mais sobrecarga de peso... hummmm,

vai ficar mais frouxa, mais larga, mais móvel...



E é por isso que eu falo MUITO dos sapatos, sandálias e afins na gravidez.

Durante a gestação a mulher não deve pensar apenas na beleza do calçado.


É preciso pensar acima de tudo no conforto.

O sapato inapropriado pode diminuir a circulação das pernas, aumentar a sensação de cansaço e acarretar alguns acidentes como quedas e torções, inclusive com risco de morte para mãe e bebê.

O maior problema é que muitas mulheres não se preocupam com os pés na gestação e por isso incham bastante. Mas se fosse só o inchaço, era simples.

A sobrecarga devido ao aumento de peso é umas das principais preocupações com os pés, principalmente com uma sobrecarga mau cuidada.


O corpo inteiro da mulher está suscetível a alterações, que podem ser danosas e definitivas.


Quer um exemplo? Você já ouviu falar que o pé da mulher aumenta depois da gravidez?


E a principal causa do aumento do tamanho do pé na gravidez é o uso inadequado de sapatos que não dão a sustentação necessária, que não dão o suporte na base do pé, que não contém as laterais e permitem que o pé se esparrame pelo calçado e muitas vezes pelo chão. Já viram um pezinho de grávida esparramado para fora do calçado?


Outra coisa são os acidentes, quedas ou torções. Você pode me dizer que torcer o pé é normal, que qualquer um está suscetível. Não é bem assim.


A gestante está muito mais suscetível do que qualquer outra fase da vida, pois os músculos e ligamentos do corpo inteiro (do pé, inclusive) estão frouxos e mais instáveis.


Além de que a perda de equilíbrio pela mudança no centro de gravidade é nítida e clara. Ela vai se desequilibrar mais fácil e sem o suporte dos pés funcionando de maneira mais firme, vai torcer mais

fácil e a torção, na maioria das vezes vai ser mais séria.


Usar um sapato inapropriado pode levar a esses acidentes e piorar a dor nas costas. Solas que escorregam e sapatos altos são os mais perigosos. No dia a dia dê prioridade aos sapatos confortáveis,

mais largos e que não apertem os pés. Solas de borracha ou com a ponta emborrachada.


Eu quero falar primeiro do que não pode, tá?


Quero explicar porque não pode e depois vou dar dicas de como escolher o sapato adequado.


O clássico salto alto: Não. Simplesmente porque desequilibra, causa torções e quedas, mantém a panturrilha o tempo inteiro contraída e dificulta a circulação, causando maior inchaço.


- Salto fino: Mesmo sendo baixo, o salto fino, tende a causar mais desequilíbrios, é mais difícil se manter

estável nele.


- Plataforma: Evita a contração da panturrilha, deixa a mulher mais alta, mas ainda deixa ela suscetível

a quedas pela altura elevada (em relação ao solo).


- Rasteirinha e mule: permite que o pé esparrame pelo calçado, não fixam no pé, a mulher tem que constantemente está segurando o calçado com as pontas dos dedos e são instáveis, aumentando o risco de quedas, mesmo sendo baixos.


- Tiras: sandálias e sapatos de tiras finas marcam o pé, apertam em locais determinados, causam mais dor

e incham mais o pé por comprimir mais os vasos sanguíneos, inclusive amarrações no calcanhar são não devem.


Vamos agora ao que é recomendado e o porquê destas recomendações.

- Salto largo: Não tem como fugir do salto em um determinado evento? Saia de casa com um sapato mais baixo e na porta do evento, coloque o salto, mas lembre de optar pelo salto largo e quadrado, pois mesmo com a alteração postural, você se resguarda do problema do desequilíbrio e diminui as chances de queda, dando mais firmeza e ainda evita qualquer problema de circulação. Acabou o evento? Coloque o sapato mais baixo novamente.


- Solado de borracha: Borracha é o solado antiderrapante para grudar mais no chão, evitar escorregões, dar mais firmeza.


- Tiras largas: Dão mais firmeza no pé, não comprimem os vasos sanguíneos e promovem maior segurança ao andar.


- Altura: Algumas mulheres não abrem mão de um salto, não é mesmo? Ou para estarem mais altas ou para se sentirem mais elegantes, não importa. Na gravidez, se você não abre mão de maneira alguma de um salto, vamos lá para as orientações de saltos MÁXIMOS que você pode usar para não causar prejuízos a sua saúde.


O salto não deve ultrapassar 4,5cm, ou seja, 3 dedos. Mas o ideal é o salto de 3cm, 2 dedos. Por quê?


Porque esta é a inclinação fisiológica do nosso pé, é a inclinação que permite ao nosso pé dar conforto ao nosso quadril, coluna, ombros, cabeça e pescoço sem alterar as formas posturais.


Durante a gravidez, principalmente, dê sempre preferência a calçados que te proporcionem:

Firmeza Segurança Conforto Abraço Leveza

Dra Daniella Leiros - fisioterapeuta, acupunturista e doula (A Sua Hora - serviços de apoio materno