Puerpério, o que é?

November 8, 2018

 

Puerpério = pós-parto, depois do parto, sabe?

 

Aquele período onde o corpo sofre uma série de involuções para retornar ao estado pré-gravídico.

Bom, nem sempre volta ao mesmo corpo de antes da gravidez, né? Nem emocionalmente, a mulher jamais será a mesma, mas.... teoricamente... é o período em que o corpo da mulher se recupera da gravidez e do parto e readquire as condições para uma nova gestação, afinal, nós mulheres fomos feitas para gestar, né?

 

 

Sou fisioterapeuta, especialista em gestantes com mestrado e doutorado na área.

Já acompanhei milhares de mulheres no período pós-parto e digo para vocês: não é fácil!

 

Por que não é fácil?

 

Porque além de se recuperar da gravidez e do pós-parto, a mulher precisa se adaptar, precisa aprender, precisa entender o seu novo papel, o de mãe.

Todas estas mudanças podem ter um forte impacto no seu estado de humor e deixá-la mais sensível e vulnerável.

 

Além  disso, a queda brusca dos níveis hormonais que estavam sendo produzidos durante a gravidez ajuda muito neste processo.

 

Vamos falar primeiro dos sintomas físicos, tá?

 

Depois da expulsão da placenta, as contrações uterinas prosseguem para que o útero se mantenha firme e volte ao tamanho normal, processo que dura aproximadamente 10 dias.

 

Pra ajudar nesse processo de retorno do útero a sua posição você pode amamentar ou fazer a massagem do fundo do útero.

Eu ensino sempre as minhas puérperas a fazer essa massagem, não é das mais agradáveis, mas ela ajuda bastante no retorno do útero a cavidade pélvica.

 

Enquanto útero volta ao estado natural é normal sentir uma dor tipo cólica na parte inferior da barriga principalmente quando amamenta. A sucção do seu bebê estimula a produção de ocitocina, hormônio que causa contrações uterinas.

 

Os lóquios sanguíneos são um corrimento vaginal, semelhante a uma menstruação, constituídos por secreções uterinas e vaginais, sangue e revestimento do útero. A sua duração varia, sendo a média de 21 dias mas que se pode prolongar pelos primeiros 2 a 3 meses após o parto e até durar menos a depender da amamentação e da massagem no fundo do útero.

 

As características dos lóquios vão variando ao longo do tempo: eles tem cor de sangue mais escuro nos primeiros 3 dias; e são mais rosados à medida que essa perda vai diminuindo; esbranquiçando ou amarelando.

 

Em até duas semanas após o parto, o seu intestino voltará a funcionar normalmente. Se tiver dor perineal ou hemorroidas é natural que tenha medo em força, peça ajuda ao seu médico (ou a sua fisioterapeuta) e faça uma dieta rica em líquidos e fibras.

 

Ah, mas é bom lembrar que os exercícios do assoalho pélvico realizados durante a gestação ajudam a evitar as temíveis hemorroidas e facilitam o controle esfincteriano após o parto.

Leia mais aqui.

 

Outro sintoma bem comum no pós-parto é a incontinência urinária.

Durante este período pode perder algum controlo sobre a bexiga e sentir uma vontade súbita e incontrolável de urinar.

 

 

A perda involuntária de urina é situação transitória e tudo voltará ao normal cerca de 3 meses após o parto. Os exercícios do assoalho pélvico também evitam essa perda de urina e falta de controle do assoalho pélvico, nós demonstramos isso no meu mestrado, onde mulheres que realizaram exercícios para os músculos do assoalho pélvico durante a gravidez apresentaram um índice de incontinência urinária bem menor do que aquelas que não realizaram os exercícios.

 

 

Além do mais, os exercícios podem ser realizados imediatamente após o parto, imediatamente após qualquer tipo de parto e se você nunca fez, nunca é tarde para começar, nem antes de engravidar, nem depois, nem na adolescência, nem na idade mais avançada, sempre dá pra começar a realizar os exercícios do assoalho pélvico e se beneficiar com eles em qualquer idade. Exercícios do assoalho pélvico são exercícios para a vida, tanto para homens como para mulheres.

 

Ah, e se você não sabe como fazer os exercícios, marca uma consulta comigo que eu avalio a sua musculatura e te ensino direitinho como fazer em casa esses exercícios, ok?

 

 

Falando ainda de assoalho pélvico, é provável que você sinta a região do períneo sem muito controle, sem muita reação ou sensação. E se você passou por um parto normal, ela pode estar um pouco dolorida, como se você tivesse ido a academia, aquela dorzinha muscular, mas que a gente sente que vai passando com as horas, vai aliviando.

 

E ainda assim, pode ter sido necessário a episiorrafia (aqueles pontinhos em caso de laceração, de ter rasgado um pouco, sabe?) e aí você pode sentir um desconforto maior por causa dos pontos, mas uma compressa gelada ajuda bastante a desinchar e aliviar o desconforto.

Ah, não coloque gelo direto na vagina, tá? Pode queimar a mucosa, coloque um paninho, uma fralda para proteger. O melhor mesmo é pegar um absorvente, colocar chá de camomila e levar ao freezer. Depois é só colocar o absorvente congelado na região genital. Alivia na hora!

 

E se você passou por uma cesárea?

 

E se você teve uma cesárea, vai ter o desconforto no corte no pé da barriga. E leva um tempo para recuperar. A pele normalmente cicatriza em uma semana e os médicos já marcam a data para tirar os pontos.

 

Mas a incisão uterina demora mais ou menos 6 semanas. Portanto cuidado com os excessos, lá dentro ainda não está cicatrizado como do lado de fora, viu?

 

Para aliviar o desconforto da cicatriz cesariana, compressa de gelo (coberto com um paninho ou fralda) ajuda bastante. Cuide também da higiene, lave com sabão, não oclua muito a cicatriz, deixe ela respirar um pouco e coma muita fruta e verdura, tomando muito, muito líquido.

 

Cinta no pós-parto?

 

Cinta???? NÃO!!!!!

De maneira alguma! Este é um tema de outro artigo aqui, entenda porque NADA DE CINTA no pós-parto.

 

 

Amamentação 

O seu peito vai aumentado progressivamente de volume e começa a liberar o colostro, o primeiro alimento do seu bebê, aquele líquido aguado, amarelado, estranho e pouquinho do início da amamentação

 

Por volta do terceiro dia do puerpério, inicia-se a produção de leite cuja quantidade aumenta com a estimulação produzida pelo seu bebê enquanto mama. Ouviu direitinho?

O leite aumenta a sua produção pela estimulação da sucção do bebê. Ou seja, o bebê precisa mamar para produzir leite.

 

 

Vai doer um pouquinho. Vai doer, sim, vai doer.

Mas a medida em que vocês forem pegando o ritmo e aprendendo juntos, vai melhorando.

Juro pra você que melhora!

 

Você pode passar o próprio leite para amenizar o desconforto no bico, pode usar as conchas, pode tomar banho de sol ou de lâmpada e pode usar creme de lanolina que ajuda muito a aliviar.

 

Alterações hormonais

 

Provavelmente no pós-parto você vai suar bastante devido às alterações hormonais que irão ocorrer no seu organismo neste período devido aos níveis de estrogênio que antes eram elevados durante a gravidez irão reduzir bastante no pós-parto.

 

Infelizmente, estes suores não desaparecem rapidamente, podendo manter-se durante alguns meses após o parto até à normalização dos níveis de estrogênio. 

 

 

Será que eu dou conta?

Sim, dá conta. Tudo parece um turbilhão de coisas, mas aos poucos a gente vai sentindo e cuidando de cada um desses itens. O importante é saber o que fazer, saber que tem o que fazer e usar dos artifícios quando precisar.

 

Eu acho que o que mais pega no pós-parto é a instabilidade emocional. É uma confusão de sentimentos que nem a gente, nem quem nos assiste pode perceber que mudou.

 

E por que a mulher fica tão sensível no pós-parto?

Os primeiros dias após o parto podem ser dolorosos, cansativos e frustrantes.

Você já ouviu dizer que depois que o bebê nascer você vai ficar noites e noites sem dormir, que suas olheiras serão enormes, mas que o bebê vale tudo, não é?

Verdade. Vale. Você vai ver.

Masssss. Sempre tem um mas.

 

Arcar com a responsabilidade de zelar por uma vida, nutrir, limpar, vestir, dar banho... uma vida totalmente dependente, é um desafio e tanto para a nova mãe!

 

Mas esse não é o único desafio. Há ainda a preocupação de lidar com as novas emoções e de restabelecer o corpo, que passou por muitas transformações durante a gestação.

 

O útero de uma mulher que nunca teve filhos pesa cerca de 90 gramas e tem o tamanho de uma pera. No último trimestre da gravidez, ele pode chegar a 1kg, o abdômen cresce até 11 vezes!

 

Essa fase tão peculiar começa com a queda brusca dos níveis hormonais e essa queda pode provocar desânimo e cansaço.

 

Cerca de 80% das puérperas tem sentimentos de tristeza e insegurança.

Geralmente esse período dura cerca de 15 dias e é chamado de baby blues.

 

 

Qual é o limiar entre a fase 'down' do pós-parto e a depressão? Como identificar?

 

Na persistência dos sintomas. Se após 15 dias, esse mal estar continuar e vier associado a problemas de apetite e de sono, falta de concentração e de interesse em outra atividade, pode ser depressão pós-parto, aí precisa de ajuda profissional.

 

O questionário validado de depressão pós-parto apenas define em possível depressão, que deve ser avaliado por um profissional capacitado.

Alguns pontos do questionário podem ser observados pela própria família da puérpera.

 

Se ela anda triste ou se sentido culpada, ansiosa, preocupada, qual é a frequência destes sentimentos?

 

É normal uma nova mãe sentir isso, mas a frequência deles e quem pode dar alguns alertas à família. Mas uma alta frequência deles não pode afirmar uma depressão.

 

Como eu disse, depressão pós-parto só pode ser diagnosticada por um profissional da área e também é preciso avaliar a frequência dos sentimentos “bons” como rir e achar graça das coisas, pensar no futuro com alegria ou fazer algo por si mesma.

 

Extremos de reações são sempre preocupantes e indicativos de um cuidado mais profundo, mais especializado.

Isso é o mais importante, os familiares e amigos estarem sempre juntos, dividindo, apoiando e ajudando essa nova mãe num corpo, sensações e atribuições em transformação.

 

O nenê é de todos.

A mãe tem mais “responsabilidade” quando se fala do cuidado materno, do amamentar, do embalar, mas todos podem e devem ajudar, inclusive ajudar essa mãe cheia de conflitos.

 

E lembrem-se: a depressão pós-parto é uma realidade mais comum do que se pensa.

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