Incontinência Urinária - por que não é normal?


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Você não perde xixi quando faz um esforço?

Quando pega um peso? Espirra?

Ou quando está apertada, corre para o banheiro e molha um pouquinho a calcinha?

Conhece alguém que faz isso?

Mas logo pensa; “Ah, normal, quem nunca?

Vamos lá desmistificar. A perda involuntária (ou seja, sem querer) de xixi NÃO É NORMAL. Nem em pessoas mais velhas, nem em pessoas mais novas.

Por que não é normal se acontece com tanta gente e com tanta frequência?

Não é normal, pois nosso organismo foi construído para conter a urina na bexiga e esvaziá-la quando quiser, decidir e não apenas quando precisar.

Uma vez adquirida a capacidade de armazenar urina (o que a gente adquire lá na infância), a decisão de eliminá-la envolve percepção de enchimento completo da bexiga (cerca de 300ml até 500ml), decisão de esvaziá-la e decisão social de quando é apropriado iniciar a micção.

Vamos entender um pouco mais sobre isso?

O controle da urina, controle da micção, pode parecer simples (vontade, decisão e esvaziamento), mas é complexo e apresenta vários níveis de regulação.

A coordenação das atividades da bexiga e do esfíncter da uretra (que o que fecha a uretra, final dela) envolve complexa interação entre os sistemas nervosos central e periférico (que são os nervos) e os fatores regulatórios locais sendo esta interação mediada por vários neurotransmissores.

Essa sintonia e integridade das estruturas são fundamentais para o gerenciamento correto dessas funções.

Essa coordenação nervosa (da bexiga e do esfíncter) tem inervação parassimpática, simpática e somática.

A inervação simpática excita a uretra (contraindo) e relaxam as células musculares do detrusor (da bexiga).

Os nervos parassimpáticos exercem ação excitatória na bexiga (contração) e inibitório na uretra (relaxando).

A inervação somática proveniente dos nervos pélvicos conduz impulsos nervosos referentes à tensão, barorrecepção e nocirrecepção na parede da bexiga.

O que é incontinência?

E essa “não capacidade” de conter a urina na bexiga quando é apropriado ou necessário, chamamos de incontinência urinária.

Estima-se que cerca de 8 milhões de brasileiros tem incontinência urinária, mas esse é um número que na realidade não é conhecido, principalmente por aquilo que eu falei antes “Quem nunca?” “Ah, é normal” ou “Faz parte da idade”.

É, é verdade, a maioria dos que tem incontinência urinária são idosos (até 60% das pessoas com mais de 60 anos tem incontinência) e o envelhecimento (e inatividade associados) são algumas das causas. Mas tem como prevenir.

Primeiro eu quero esclarecer os tipos de incontinência que existem.

É isso. Existe diferença na maneira de perder urina?

Sim. Como também, existe diferença das formas de incontinência, ela pode ser de urina, de fezes e de flatos... Mas, vamos nos deter a de urina. Deixa eu explicar os tipos de incontinência urinária.

- incontinência urinária de esforço: quando a gente faz alguma força, quando pega um peso, agacha, sobre uma escada, caminha, tosse ou espirra.

- incontinência urinária de urgência: é aquela quando parece que o vaso sanitário é mais longe do que a gente pensava, ou como eu já ouvi “parece que o vaso vai andando para cada vez mais longe da gente quando a gente se aproxima” e aí a gente não segura e perde um pouco de xixi.

E o terceiro tipo é a

- incontinência urinária mista: que como o próprio nome diz é um misto dos dois outros tipos.

E as causas são as mais variadas possíveis:

  • infecções urinárias ou vaginais

  • medicamentos, álcool e fumo

  • constipação intestinal

  • fraqueza muscular

  • neuropatias

  • e até cirurgias

Como são os tratamentos ou cuidados necessários?

O tratamento da incontinência urinária depende do tipo de incontinência, da sua gravidade e da causa subjacente. Pode ser necessária uma combinação de tratamentos. A equipe médica pode sugerir os tratamentos menos invasivos em primeiro lugar.

O primeiro tratamento a ser escolhido é a fisioterapia, o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico e controle esfincteriano.

Esse é o tratamento considerado conservador. É um tratamento de treino, de exercícios, de readequação funcional.

Outras formas de tratamento também podem ser escolhidas como medicamentos e cirurgias, mas como eu disse antes, tudo depende do tipo de incontinência e da sua causa principal.

Na fisioterapia são utilizadas algumas técnicas como:

  • cinesioterapia do assoalho pélvico: exercícios para fortalecer os músculos que ajudam a controlar a micção feitos sob a orientação de um fisioterapeuta.

  • estimulação elétrica: estímulo elétrico, sim, choquinho, levinho e até confortável, é feito por meio de eletrodos de superfície colado sob o períneo (entre a abertura da vagina e do ânus) ou com eletrodos inseridos no reto ou vagina que estimulam a contração muscular.

  • biofeedback: são vários tipos de aparelho com resposta visual ou auditiva da ação do assoalho pélvico. Esse termo, biofeedback, auxilia no tratamento de processos de auto-regulação que envolvem treinamento. Na fisio uroginecológica temos várias formas de obter essa resposta com aparelhos que fazem sinal sonoro, mostram o nível de água, mudança na cor da luz e até gráficos computadorizados, todos com o mesmo objetivo inicial.

  • cones vaginais: são pesinhos específicos para o assoalho pélvico com diferentes medidas de peso introduzidos na vagina para que a musculatura sustente-o durante um determinado período ou atividade específica.

  • há também métodos com