Amamentação – desafios, dificuldades e alegrias.

July 24, 2017

 
Quem passou totalmente ilesa da amamentação ou esteve livre dessas pequenas ‘torturas’ da maternidade que levante a mão!

 

O meu histórico do binômio mama-amamentação vem de longa data. Aos 15 anos passei por uma redução de mama, pois tinha os seios muito grandes e que me prejudicavam física, social e psicologicamente.

Naquele momento a frase ‘provavelmente você não consiga amamentar’ não significou nada para mim.


Com o passar dos anos, da faculdade, dos estudos como fisioterapeuta obstétrica e do trabalho com gestantes por tanto tempo, o ‘não amamentar’ foi tomando outro entendimento, ou significado, foi se esclarecendo.
Pensava até (…) Tudo bem, vai ser difícil eu sei, mas… EU VOU TENTAR!

 

O primeiro desafio era o meu mamilo invertido. Sempre fiz exercícios para o mamilo, até porque sou da época de fazer exercícios e fazia sim, com muita dor às vezes, porém nada do meu mamilo sair. Nunca. Nada mudou e fazia religiosamente, direitinho mesmo e nenhuma mudança. Ele sempre foi pra dentro, sempre ficou lá e ponto final!

 

 

 

Durante a gravidez

Quando engravidei eu não me preocupei com a amamentação, afinal de contas, eu sabia exatamente o que fazer, oriento e faço com minhas pacientes o passo a passo da amamentação e ele estava dentro da minha cabeça. Eu sabia como fazer o bico, como colocar na boca do nenê, como deveria ser a pega dele, as posições de amamentar…
Uma das primeiras coisas que comprei do enxoval foi uma bomba elétrica, eu sabia que teria dificuldades na amamentação, não queria desistir e a bomba seria uma grande aliada.
Ah e minha gravidez foi ótima, tranquila. Com 26 semanas já havia produção do colostro. Ufa! Vai dar certo eu pensava. Pelo menos leite fácil eu vou ter. Que maravilha!

 

 

No pós parto

Após o parto, hummmm, imediatamente após o parto (nos primeiros minutos mesmo), tentei colocar meu nenê no peito. Fiz o bico com os dedos, belisquei mesmo e enfiei na boca dele, deu uma sugadinha e só, mais nada.
As enfermeiras nos deixaram sozinhos, fui para a maca ainda toda suja e meu marido me ajudou novamente a tentar colocar o peito na boca dele. Novamente uma sugadinha e nada.

 

Ahhh, eu estava querendo era ficar olhando a carinha dele e não tentei mais naquele momento. Sempre digo para as minhas ´pacientes; faça o que seu coração quiser, sem exageros e seja feliz. Eu já tinha tentado por duas vezes por obrigação mesmo, por saber dos benefícios da amamentação na primeira hora após o nascimento, agora era hora de relaxar e curtir o nosso momento, só nós três.

Chegando no quarto, eu queria era comer e relaxar enquanto olhava o meu bebê que dormia ao meu lado.

 

 

Exatamente 3 horas após o parto ninguém da enfermagem aparecia, então eu pequei meu pequeno nos braços e coloquei o peito na boca dele.
E… ele sugou! Que coisa mais linda, que sensação maravilhosa de sucesso! Tinha tanto medo de não conseguir.

 

E eu não acreditava que tinha conseguido. Tirei foto, filmei, chorei, ri muito. Foram 30 minutos na mama esquerda e 22 minutos na direita.
Talvez por saberem que sou da área da saúde (essa dúvida ainda me martela a cabeça) nenhuma enfermeira da maternidade veio me ajudar ou orientar na amamentação. Depois da minha vitória solo, no máximo o que perguntaram foi se ele mamou, beliscaram o meu bico e disseram ‘ah, você vai ter dificuldade’. Tudo bem, fui pra casa tranquila, pois ele estava mamando bem, fez cocô e xixi e tudo estava normal.

 

 

Na saída da maternidade

Quando sai da maternidade, fiz a amamentação em livre demanda nos primeiros três dias, mas eu sou metódica demais e pra mim tudo é muito bem organizado e quando me vi, já estava contando as horas. A cada três horas eu me beliscava meu peito, fazia um bico no meu mamilo e enfiava na boca dele. Nooosssaaaaa! Era muito tempo de mamada. Às vezes ele mamava 40 minutos, às vezes 1 hora inteira sem parar.


Mas eu, na pele de mãe de primeira viagem, aquelas que tem dúvida de tudo, que não tem certeza se está certa, sabe? Marquei logo um horário no banco de leite. Ahhhh, eu queria saber se estava tudo certo mesmo, se eu estava fazendo a pinça certa, se ele estava com a pega correta… Essas coisas.

 

 

 

Minha visita ao Banco de Leite

A primeira coisa que fizeram no banco de leite foi enfiar uma máquina nos meus seios e puxar ‘o leite’. Mas o que saiu foi sangue, o aparelho feriu meu seio na hora. Aquilo é pra tirar leite? Sabe o que foi pior? Ela não falou nada, só enfiou aquilo no peito e sugou. A desculpa que eu ouvi foi: ‘ você já devia estar ferida’.

 

Ferida? Eu? Não, querida, eu não estava ferida, eu sei o que é um mamilo ferido, o meu não estava e também sei como é um sangue novo, recém cortado, além da dor no mamilo, dor cortante, cortou agora. Realmente a dor daquele treco é insuportável. Eu sabia o que era, sabia pra que servia, mas e as mães que não sabem, elas enfiam o negócio no peito delas assim? Do nada? Sem explicar? Sem graduar a sucção? Tá. Tudo bem, o negócio tem uma pressão negativa alta e me machucou (como deve machucar tantas outras mães), mas… Passou.


O diagnóstico das enfermeiras foi que ele não estava mamando o suficiente. Passei lá 20 minutos e o diagnóstico fechadíssimo. Vinte minutinhos, viu? E ‘ele não está mamando o suficiente, você precisa dar complemento’.

 

Meus questionamentos

Chorei muito. Chorei mesmo.

 

Que mãe sou eu que não notei que meu filho não está mamando o suficiente? Que mãe sou eu que deixo ele sugar meu peito até cansar? Que mãe sou eu?

 

 

Chorei eu e chorou meu marido, nós dois juntos, inconsoláveis, sem saber nem quê nem porquê, só choramos, uma sensação de impotência.

Compramos tudo o que elas mandaram; sonda, leite, seringa e demos complemento tentando a relactação para não sermos tachados (por nós mesmos) como maus pais.
Mas que relactação era essa? O nenê precisava pegar meu bico para que eu colocasse a sonda junto, o bico que eu não tinha. Putzzzz Tentei MUITO e só estressei o meu pequeno.

 

A partir daí ele não não pegou mais o meu peito. Cheguei a passar 2 horas e 15 minutos tentando enfiar meu peito na boca dele e ele não pegava. Ele estava aos berros, aos gritos, muito, muito choro. Meu bebê calminho que nunca tinha chorado, ele não chorava para nada mesmo, estava se esgoelando.

De fome, claro, pois nem aquele leite ‘insuficiente’ da mamãe ele não conseguia mais, pois não pegava mais meu mamilo. E o meu peito? Vermelho, dolorido e MUITO sensível , eu não aguentava mais nem o lábio dele encostando no meu seio de tanto que eu fazia a pinça para formar o bico e colocar na boca dele, estava machucado.

 

 

Ai que desespero. Tentei me manter calma, tentei não me angustiar mais e continuei a tentar mansamente e carinhosamente. Nesta hora, dei o complemento com a sonda no meu dedo mindinho.
Peguei o protetor de mamilo e consegui que ele novamente voltasse ao meu peito, sem o ‘diabo’ daquela sonda, era uma sexta-feira a noite… E assim foi o nosso final de semana, choro, grito, desespero, peito dolorido e eu sem saber mais o que fazer.
Eu não sabia o que era. Cólica? Ainda não devia ser, meu nenê não tinha nem uma semana de vida e cólica geralmente aparece após os 15 dias… Meu Deus. O que era? Mal olhado? Bom, pelo menos estava mamando os seus 40 minutos ininterruptos.

 

 

 

Minha busca por pediatras e, enfim, um conforto

Na segunda-feira o choro continuava. Então liguei para todos os pediatras da lista do convênio, precisava de alguém pra me ajudar urgente. Nada. Ninguém. Conheço ginecologistas e não pediatras, não tinha a quem pedir ajuda a não ser às minhas amigas mães.

E foram elas que me ajudaram depois que eu já tinha chorado um bocado. Eu não sou de chorar, sou de resolver, mas eu não conseguia um ser que atendesse o meu nenê de apenas 9 dias. Consegui por intermédio de uma grande amiga, uma alma caridosa, Dra. Dulce Maria.


Ela me acalmou, secou minhas lágrimas, me acalentou e disse:

‘Mãezinha, você já tentou demais, seu nenê emagreceu muito, está com fome, vamos dar complemento?’

E eu: ‘O peito já deu, né?’

 

 

E ela com uma carinha tão calma, tão bondosa, tão gentil, disse que sim com muito pesar em seu olhar. Ali eu entendi que eu tinha feito o meu melhor, que eu tinha realmente tentado, mas que precisava procurar outra alternativa.

Se fiquei triste? Talvez pelo fato de tudo ter acontecido no fim de semana, mas eu estava feliz. Feliz por estar convicta de ter feito o que estava ao meu alcance e de não ter desistido apesar das intensas dificuldades dos últimos dias. Comprei o leite indicado por ela e chegando em casa a primeira coisa que fiz foi preparar a mamadeira. É, ma-ma-dei-ra. Não tinha como colocar a danada da sonda no meu bico que é pra dentro.

 

 

Se parei de amamentar? NÃO. Continuei amamentando, amamentando na mamadeira, pois amamentar, dar de mamar não é só no peito.

Se parei de dar o meu leite? Também NÃO.

Eu usava a bomba elétrica (um dos meus primeiros itens que comprei do enxoval, lembra?) pelo menos duas vezes por dia, às vezes ordenhava 3 vezes, mas não era sempre, pois assim como digo às minhas pacientes, eu fiz; ‘só faça aquilo que não for sofrido, quando começar a sofrer, pare, mude de estratégia’.

 

 

Quando estava ruim ordenhar três vezes por dia, eu só ordenhava duas, sem sofrência, sem lamentações e também sem culpa. Realmente a minha produção era mínima, em cada ordenha eu tirava cerca de 70ml de leite das duas mamas.

 

Noooosssssaaaaaaa, que pouco! Era mesmo. Mas eu tirava e oferecia o que tinha pra ele e ele mamava o leite da mamãe todos os dias, pouquinho, mas mamava. Continuei ordenhando e oferecendo o meu leite ao meu nenê até os 6 meses.

 

 

 

Minha alternativa para manter a amamentação

Esta não era a condição ideal, mas era a que eu tinha e eu fiz dela a melhor. Nós dois usufruímos ao máximo e da melhor forma de amamentação que tínhamos.

Fiz este relato para estimular você a tentar sempre!
Como profissional da saúde sei o quanto é importante manter a amamentação em livre demanda por no mínimo 6 meses e complementando a nutrição do bebê até pelo menos os 2 anos.

 


Tente sempre e muito, mas não se sinta culpada se no meio do caminho algo não sair como no planejamento inicial, recalcule a rota e busque alternativas que faça com que seu bebê fique bem e se desenvolva da melhor forma.
A amamentação é uma fase que pode ser dolorosa no começo, mas vale a pena continuar por você e pelo bebê, sempre! Ninguém está livre das ‘torturas’ da amamentação, todas passamos por isso, mas passa, acredite, passa.


Mande também seu relato e me conte como foi sua amamentação, é muito bom compartilhar.

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